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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Todos Iguais, Poucos Diferentes, de Morais de Carvalho

Autora: Morais de Carvalho
Editora: Chiado (Lisboa, Portugal)
Ano: 2016
Páginas: 146
*Recebido em parceria com a autora.
Sinopse: Agora, neste preciso momento, esqueça o que está ao seu redor. Pare e sente-se comigo neste banco de jardim. Observe todas estas pessoas que correm, que sobrevivem, que morrem. Sinta o seu cheiro a desespero, veja a sua luta diária para pertencer à sociedade. Repare agora nos pormenores: a vizinha que me acolhe nos seus braços e me vem dizer um «olá», uma mulher que foge de mim por ter medo de se tornar num ser louco como eu e um gato que se esfrega nas minhas pernas. Venha, sente-se comigo no meu banco de jardim e no final poderá decidir se quer ser afinal como todos os outros, levantar-se e ir a correr atrás de todos nós, à procura de coisa nenhuma, ou se por outro lado prefere sentar-se neste banco e caminhar os seus próprios pensamentos. Sente-se, vou contar-lhe a minha estória, a minha loucura.
Neste livro da autora portuguesa Diana Morais de Carvalho, com lindo prefácio escrito por Jorge Cruz, da banda Diabo na Cruz (de grande sucesso em Portugal), temos um protagonista sem nome, e acompanhamos sua história a partir do momento que testemunha um assalto, mas nada faz para evitá-lo. A reação da mulher vitima do crime, que no mesmo momento pede a Deus para que o assaltante seja perdoado, o deixa atordoado.

Quem era ela? O que se passa em sua cabeça? Por quê reagiu de tal maneira àquele momento tão aterrorizante para tantos? Sua curiosidade o leva a procurar e observar o dia a dia daquela mulher e sua família. Em pouco tempo, ele já sabe o segredo que a filha guarda, sabe do comportamento do filho mais velho e a dinâmica do casal. Mas essa sua curiosidade por esses estranhos o faz refletir sobre a própria vida, seu passado e suas próprias relações.


Sua única companhia é a vizinha, Dona Maria, com sua tv sempre ligada e o chá de camomila que tanto gosta. Ela é a única capaz de acalmar esse solitário homem, tratando-o como um filho, que nunca teve. Os dois se completam em sua solidão.

Esse homem tão diferente, que não se encaixa em nenhum grupo e tampouco faz questão de se encaixar, vai liberando suas memórias ao leitor, indo e voltando do passado, especialmente de sua época de menino, calado e diferente, como sempre foi, causando estranheza na própria família e sendo rejeitado.
"Não devemos criticar quando alguém já não quer ver para além da sua janela, em vez disso, devemos entrar em sua casa e juntarmo-nos a ela, do lado de dentro da janela, com uma mão por cima do seu ombro."

Todos Iguais, Poucos Diferentes é uma leitura que envolve muita reflexão sobre a vida, as relações humanas e, claro, as diferenças, que nos fazem tão únicos mas que ainda causa tanta estranheza por parte de alguns, que não suportam o que não é exatamente igual a eles e a forma como pensam.

Morais de Carvalho construiu uma história muito interessante e com bons personagens. Não concordei com algumas atitudes de alguns deles, especialmente do protagonista, mas me apeguei a inocente e simpática Dona Maria, uma senhora já viúva que tem muito a ensinar.
"Se alguém era feliz neste mundo, essa pessoa era a Dona Maria. Acredito que sentada no sofá, a comer biscoitos de limão e a ver o programa da tarde, a felicidade sempre existiu dentro daquele coração, que continuava a bater porque simplesmente é simples continuar a fazê-lo"
O final é de cortar o coração e bem intenso, mas acredito que foi coerente com todo livro, e não podia ter acabado de outra forma.


Eu gostei da leitura e a indico, especialmente para quem gosta de dramas e temas como crise existencial. Não encontrei nenhum erro de revisão que atrapalhasse a leitura, as páginas são amareladas e as fontes de tamanho confortável para a leitura.

Quero agradecer a autora pela confiança e parceria  e também à editora Chiado, pelo envio do exemplar. Muito obrigada!  Para comprar, vocês podem clicar AQUI.

6 comentários :

  1. Oii, Gaby!
    Não conhecia o livro, mas gostei da premissa e fiquei interessada em ler o livro. Uma das coisas que gosto da Editora Chiado é a diagramação dos livros, principalmente as folhas amareladas.
    Amei a resenha!

    Beijos - Refúgio da Ju

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  2. Olá
    Achei a proposta do livro bem interessante, eu gosto desse tipo de interação, tentar entender porque uma pessoa hage de certa forma, mas acho que não estou em um bom momento para a leitura.

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  3. Oi Gaby!
    A Chiado tem umad publicações bem diferentes e conceituais né?
    Adorei o enredo e fiquei curiosa. Parece algo simples e ao mesmo tempo complexo. Quem será, realmente, nosso protagonista?
    Bj

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  4. Excelente dica. Realmente, quando se vive de forma simples, tende-se a ser mais feliz. A ignorância é uma benção.
    Vou anotar esse título e irei conferir futuramente.

    Um grande beijo Gaby.
    Hugo,
    Raposa Cultural

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  5. Não conheço a autora, mas me interessei muito, adoro dramas existenciais! Vou dar uma olhada no site! Valeu!

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  6. Oi,
    Não conhecia o livro, mas fico um pouco receosa com finais um pouco triste. Passei por uma situação bem complicada e estou fugindo de livros assim.
    Fico feliz que gostou da história.
    Beijos
    Daya

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